Em abril de 2014 eu e Rafa estávamos voltando de um mochilão de 4 meses para mim, 6 meses para ele. A readaptação à rotina foi difícil, e para ser sincera, acho que nunca foi completa. Sempre queríamos estar em outro lugar, mas presos em um emprego pouco satisfatório, que mal dava para pagar as contas. Nem viajar por perto a gente conseguia. Então começamos a desejar, de forma organizada, a vida de nômades digitais. Mas por que digo organizada? Porque poderíamos ter ficado mais tempo fora mochilando se tivéssemos planejado melhor nossos destinos e os gastos de dinheiro, pois o Rafa trabalhava remotamente com freela e havia um pouco guardado, mas não tínhamos noção do que estávamos fazendo e, de repente, quando percebemos que não entraria mais nenhum tostão, nos vimos em um hotel barato em Manágua com apenas U$30 - valor que usamos para voltar para casa - comprando duas passagens de volta para o mesmo dia no cartão de crédito.

Então planejamos. Decidimos criar um serviço online, um trabalho para a gente. A experiência de criar uma empresa nossa foi, e ainda é, uma jornada incrível! Pudemos escolher trabalhar com algo que somos apaixonados, e pudemos criar uma empresa com nossos valores; por acreditarmos que uma viagem transforma pessoas, e pessoas transformam o mundo, nós nos dedicamos ao nascimento do Planejador do V de Viagem, onde a gente planeja viagens colocando no papel o sonho dos nossos clientes e acrescentando experiências que fazem parte da nossa missão: transformar. Seja através de um passeio personalizado, um restaurante diferente, uma hospedagem com locais, sempre terá um toque do V de Viagem que fará com que a experiência seja inesquecível.

Para quem não planeja criar algo para si, separamos alguns links onde encontram-se diversas vagas de trabalho remoto, principalmente para desenvolvedores, designers, tradutores e jornalistas (mas diversas outras profissões também, deem uma olhada;):

Tá bom, criamos uma empresa, e agora? Poderia ser lindamente fácil, mas há dois anos, nós temos duas gatinhas sem as quais não iremos a lugar nenhum. Como nossa ideia é partir sem data para voltar e abertos as surpresas que forem surgindo no caminho, elas precisam estar prontas para cumprir exigências de entrada de diversos países do mundo, então segurem aí cinco meses ainda no Brasil para colocar microchip, botar as vacinas em dia, tratar qualquer possível doença, e o mais importante, fazer a sorologia antirábica, um exame chato, burocrático, custoso, que eu conto tudo sobre aqui, onde falo em como viajar com seu bichinho para a União Europeia.

Sorologia encaminhada, vamos decidir o destino. Ai socorro, foi muito difícil. Já estivemos no México por três meses, então estava fora da lista; Estados Unidos nem pensar porque o dólar não ajuda (e eu não tenho o visto); daí bate aquele sonho que diz: por que não o leste europeu? Afinal, viajar por lá é barato, morar em países fora da zona do euro é coisa linda de se ver e vamos estar a um pulo da Ásia, onde cá entre nós, sonho em ser nosso próximo destino (que nômade digital não sonha com a Ásia no fim das contas?).

MAS como tudo precisa de um porém, você não pode esquecer que estamos viajando com duas gatinhas, e se eu não mencionei ainda, perdoe-me: elas são paraplégicas. Sendo assim, mesmo nas curtas viagens feitas pela Europa, elas precisam ir com a gente, pois não fazem suas necessidades sozinhas. Isso dificultou um pouco já que vamos para o Leste Europeu com a intenção de viajar bastante, porque Ryanair, EasyJet, Wizz e a maioria das cias aéreas de baixo custo não viajam com animais, nem os ônibus baratíssimos que fazem as travessias dos países. Daí precisávamos encontrar um país barato, que tivesse voos baratos sem ser pelas cias low cost, ou que tivesse meios de transporte alternativos que aceitassem animais. A gente procurou muito, muito, muito. Várias cidades passaram pelo nosso planejamento, mas nos decidimos por Praga, porque:

  • A República Checa não usa o euro e o custo de vida é relativamente barato lá; por exemplo, o apê que pegamos no AirBnb custou menos do que nosso aluguel no Rio de Janeiro;
  • O plano é viajar pelo espaço Schengen enquanto estamos em Praga; já que estaremos usando os 3 meses que temos direito, vamos viajar para os lugares mais próximos, como Alemanha, Polônia, Áustria, Hungria;
  • Depois a gente sai do espaço Schengen e vai para a Bulgária (ou um país fora do espaço e que não use euro) para recuperar as economias, pois minha ideia é voltar pro Schengen na primavera para visitar, principalmente, a Holanda <3

Então no dia 14 de novembro de 2016, partiremos para Paris (foi de propósito mesmo, me deixa!), passaremos cinco dias lindos lá e depois voaremos para Praga, onde ficaremos no mínimo um mês.

Apesar de nós não podermos participar de trocas de trabalho por hospedagem (por causa das gatíneas) e alimentação, para quem pode, a gente recomenda plataformas como WorldPackers, House e Pet Sitting, Workaway, etc, que proporcionam um grande respiro nas finanças devido ao valor economizado em aluguel.

Fora isso, algumas viagens a gente deve fazer usando o BlaBlaCar, pois sai beeem mais barato do que avião por causa das taxas das gatas, e quanto a comida, planejamos comer minimamente na rua, para juntar tudo que podemos para viajar cada vez mais.

Nesse meio tempo antes da viagem, nós resolvemos fazer algumas coisas para economizar. Devolvemos nosso apartamento e estamos dividindo casa com amigos; vendemos tudo que é nosso e colocamos o dinheiro da venda na poupança; quando o salário bate, uma quantia vai pra poupança e não podemos mexer nela; as passagens foram pagas, as hospedagens também, assim a gente não chega na Europa com conta para pagar; não estamos comprando nada além do necessário, e vou te falar que até o necessário estamos enrolando pra ver se conseguimos sobreviver sem; a ÚNICA coisa que ainda não conseguimos fazer é parar de comer fora, que hoje, é nosso maior gasto. A única defesa que tenho sobre isso é que pelo menos não comemos em lugar caro, a gente simplesmente tem preguiça de ir no mercado e cozinhar todos os dias, então nosso 'comer fora' significa catar um lanche na rua.

Não deixe de nos acompanhar, pois vamos documentar nossa jornada com a intenção de ajudar com dicas de planejamento, de lugares, de transporte, e tudo que faz parte da vida de um nômade digital!
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